Já pediram pra você
simplesmente fechar os olhos, e respirar o ar da montanha, e se jogar nesse
precipício? Não! Então me dê a mão. Melhor, toma este empurrão. Consegue ver a
aurora boreal, o multicolorido? O astral? Os astros? A felicidade e a tristeza passaram
agora, roubaram tuas lágrimas e jogaram no mar como oferenda, Iemanjá te adora.
Ela te espera, sorrindo, pra te jogar num abismo límpido, salgado, de cheiro de
maresia, toque de silêncio, roçar de alga. Embalado num plástico de drops
qualquer está sua droga alucinógena, você fecha os olhos, mas não vê nada,
melhor vê tudo, vê o rodopio, giras, giras pomba, gira. Ouves os batuques
embriagantes. Como uma cigana que requebra loucamente seus quadris, vejo a
estrela Dalva. Samba, crioula. Esses poucos metros quadrados de terreiro é
nosso. Olha os batuques. Ria, chore. Baque...
No chão a alguns
metros, encontrava-se ali o corpo branco, cercado de aves, cheirando a carniça,
banhado pela maresia, empestado de moscas, zumbia a loucura.

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